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Convivência

Os avós depois da separação: como manter o vínculo da criança com as duas famílias

A separação é dos adultos. Para a criança, a avó e o avô das duas casas continuam sendo família: colo, memória, o almoço de domingo, a história que só eles contam. Com alguns combinados simples, esse vínculo atravessa a mudança sem virar mais um assunto difícil entre os responsáveis.

Por Equipe Parenzo5 min de leitura

Capa do guia: Os avós depois da separação, como manter o vínculo da criança com as duas famílias.

Por que os avós importam tanto nessa fase

Depois de uma separação, a rotina da criança muda bastante: duas casas, dois quartos, horários novos. Os avós costumam ser um ponto fixo no meio dessa mudança. Eles guardam a história da família, cuidam sem pressa e oferecem um lugar onde nada precisa ser explicado.

O risco é o vínculo se perder sem que ninguém tenha decidido isso. A visita que era todo domingo passa a depender de quem está com a criança, a data especial cai no período do outro e, aos poucos, a avó de um dos lados some da rotina. Quase sempre não é falta de vontade: é falta de combinado.

Cada responsável cuida do contato com a própria família

O jeito que costuma funcionar melhor é simples: cada um leva a criança aos próprios pais, no próprio período. Assim ninguém perde tempo de convivência, e a visita aos avós não depende de autorização da outra casa.

Exemplo de visitas no período de cada casa
Fim de semanaCom quem está a criançaVisita aos avós
1º e 3ºCom a mãeAlmoço de domingo na casa da avó materna
2º e 4ºCom o paiTarde de sábado com o avô paterno

Exemplo. A frequência certa é a que cabe na rotina da criança e das duas famílias.

Os dois responsáveis combinam juntos só o que mexe na agenda: um pernoite fora do comum, uma viagem com os avós, quem pode buscar na escola. O resto é da relação de cada um com a própria família.

Datas especiais no período do outro

O aniversário da avó, o Dia dos Avós, a festa de 80 anos do bisavô: às vezes a data importante cai justamente no período da outra casa. Nesses casos, o pedido funciona melhor quando é feito com antecedência, com horário definido e com a volta já combinada.

Exemplo: "O aniversário da minha mãe é sábado, dia 14. Posso buscar as crianças das 12h às 16h? Deixo de volta na sua casa."

Um pedido assim é fácil de responder: diz o motivo, o horário e quem leva de volta. E vale lembrar que o outro responsável também pode dizer não, porque o período é dele. Quando a resposta é não, uma alternativa costuma resolver: mudar o horário, comemorar no dia seguinte ou fazer uma chamada de vídeo no meio da festa.

Para escrever esse tipo de mensagem sem tom de cobrança, veja também as regras para conversar só sobre os filhos.

Contato não precisa ser só visita

Entre uma visita e outra, pequenos gestos mantêm a proximidade, principalmente quando os avós moram longe:

  • chamada de vídeo num dia e horário combinados, para virar parte da rotina;
  • foto da apresentação da escola enviada para os avós das duas casas;
  • desenho ou cartinha guardados para entregar na próxima visita;
  • uma tradição só deles: o bolo, a história de sempre, o jogo de cartas.

Esses contatos não precisam passar pelo outro responsável, mas vale evitar que caiam em horários que atrapalham a rotina da outra casa, como a hora do banho ou do dever de casa.

Um cuidado: os avós ficam fora da conversa dos adultos

Avós também sentem a separação, e às vezes tomam as dores do próprio filho ou filha. É natural, mas a criança não deveria perceber isso. Na casa dos avós, ela só precisa ser neta.

EvitePedir que os avós tomem partido.

PrefiraDeixar os assuntos dos adultos entre os responsáveis.

EviteUsar a visita para perguntar como está a outra casa.

PrefiraPerguntar à criança como foi o dia com os avós.

EviteMandar recado de um responsável para o outro pelos avós.

PrefiraCombinar recados diretamente entre os responsáveis.

EviteComentar a separação ou criticar a outra família na frente da criança.

PrefiraFalar da outra família com respeito, ou não falar.

Se ajudar, compartilhe com os avós as frases para não dizer do outro responsável na frente da criança. Elas valem para toda a família.

O que combinar entre os responsáveis

Combinem também

  • Frequência das visitas aos avós em cada período.
  • Pernoite na casa dos avós: pode ou não, e com que aviso.
  • Quem pode buscar a criança na escola.
  • Datas da família: aniversários, Dia dos Avós e festas.
  • Remédios e rotina passados também para os avós quando a criança fica com eles.

Quando a criança dorme na casa dos avós, vale que eles saibam o essencial: horário de dormir, remédios em uso, alergias e o contato dos dois responsáveis. Uma lista curta evita telefonemas no meio da noite.

Perguntas frequentes

Os avós podem visitar os netos depois da separação dos pais?

Sim. O caminho mais simples costuma ser cada responsável levar a criança aos próprios pais durante o próprio período. Se houver acordo homologado, ele vale primeiro, e situações de conflito podem ser levadas a um mediador ou advogado.

Como pedir para a criança ir ao aniversário da avó no período do outro responsável?

Peça com antecedência, diga o horário de saída e de volta e quem leva a criança. Por exemplo: "O aniversário da minha mãe é sábado, dia 14. Posso buscar as crianças das 12h às 16h?". O outro responsável pode aceitar, propor outro horário ou dizer não.

Como manter o contato quando os avós moram longe?

Chamadas de vídeo num dia e horário fixos, fotos de momentos da escola e cartinhas para a próxima visita ajudam a manter a proximidade. O importante é que vire rotina, e não dependa só das visitas.

O que fazer se os avós falam mal do outro responsável na frente da criança?

Converse com eles em particular, longe da criança, explicando que ela gosta das duas famílias e não precisa escolher lado. Cada responsável conversa com os próprios pais, o que costuma ser mais fácil de ouvir.

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